Uma cliente minha ficou dois anos querendo contratar uma assistente. Dois anos adiando uma decisão que levaria talvez quarenta minutos para ser tomada se ela tivesse os números certos na mão. Toda vez que o assunto vinha à tona era a mesma coisa: e se as vendas caírem? E se o mês que vem for fraco? E se eu contratar e tiver que demitir logo depois?
Ela não era insegura por natureza. Era insegura porque não tinha informação suficiente para se sentir segura. E existe uma diferença enorme entre esses dois cenários.
Segundo o Sebrae, 46% dos micro e pequenos empresários brasileiros apontam a insegurança financeira como principal barreira para contratar novos funcionários, mesmo quando o negócio apresenta crescimento de faturamento.Fonte: Sebrae — Pesquisa sobre Gestão de Pessoas nas MPEs
Por que tantos empresários paralisam na hora de contratar
A resposta quase nunca é falta de dinheiro. É falta de visibilidade sobre o dinheiro que existe. Quando o empresário não tem uma DRE estruturada, não acompanha o fluxo de caixa e não conhece seu ponto de equilíbrio, qualquer decisão que envolva custos fixos novos parece arriscada demais. E é exatamente esse o problema: a percepção de risco é maior do que o risco real.
De acordo com dados do IBGE, empresas que utilizam ferramentas de gestão financeira têm 2,5 vezes mais chance de sobreviver após dez anos de operação do que empresas sem nenhum controle financeiro estruturado. A diferença entre crescer e estagnar muitas vezes não está no mercado. Está nos números que o empresário consegue ou não consegue enxergar.
Empresas com gestão financeira estruturada têm 2,5 vezes mais chance de sobreviver após dez anos de operação em comparação com empresas sem controle financeiro.Fonte: IBGE — Estatísticas de Empreendedorismo
O que os indicadores financeiros respondem
Quando você tem uma DRE estruturada, conhece seu ponto de equilíbrio e acompanha o fluxo de caixa de perto, a pergunta “posso contratar?” ganha uma resposta concreta. Você sabe exatamente qual é o impacto de um novo salário na sua operação, quanto precisa vender a mais para cobrir esse custo e se o momento atual do negócio comporta essa decisão.
Perguntas que a gestão financeira estruturada responde com clareza:
- Qual é o impacto de um novo salário no meu ponto de equilíbrio?
- O faturamento atual suporta esse custo fixo adicional?
- Em quanto tempo esse novo colaborador se paga em produtividade?
- Qual é a projeção de caixa para os próximos três meses?
- Existe sazonalidade que pode comprometer o pagamento futuro?
“Quando abrimos o financeiro juntos, ficou claro que o negócio dela comportava a contratação fazia muito tempo. O dinheiro para pagar aquele salário estava lá. Sempre esteve. Ela só não sabia.”Adriana Oliveira, Save Your Company
O custo invisível de não contratar
Existe um custo que poucos empresários calculam: o custo de não crescer por falta de clareza. Cada mês que o empresário fica sobrecarregado fazendo o trabalho que outro poderia fazer, é um mês que ele deixa de pensar estrategicamente. E empresa que não tem dono pensando no futuro fica presa no presente.
Contratou a assistente no mês seguinte. Três meses depois me mandou mensagem dizendo que não entendia como tinha ficado tanto tempo sem fazer isso. O negócio tinha ficado mais leve, ela tinha voltado a pensar estrategicamente e as vendas tinham crescido porque ela finalmente tinha tempo para olhar para o que importava.
Insegurança que vem da falta de informação não se resolve com coragem. Se resolve com dado.
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